Exp02

Pensare.

Trabalho integrado na exposição colectiva Possible, CAPC. 2007,Coimbra.

“Sevilha, sem mapa. Nesse canto do sul, o último shandy, que é um herói saturnino, com as suas ruínas, as suas miniaturas, as suas visões desafiadoras e a sua implacável penumbra, pensa que a sua intensidade e atenção exaustiva de melancólico fixam limites naturais à longitude com que torna explícitas as suas ideias sobre literatura e a vida, e decide concluir o livro que está a escrever para que este termine mesmo a tempo, antes de autodestruir-se. É a decisão de que sabe que o verdadeiro rosto da história passa velozmente e que só se pode reter o passado como uma imagem que, tal como o relâmpago da insolência , emite, no próprio instante em que podemos vê-la, um brilho que nunca mais se voltará a ver………………………………………………………………………………………………… Só porque está morto somo capazes de ler o passado. O último shandy sabe que só porque está fetichizada em objectos físicos podemos entender a história. Só porque é um mundo podemos entrar num livro. Para o último shandy, para quem o seu livro é outro espaço onde passear, o verdadeiro impulso quando o olham é baixar os olhos, olhar para um canto, baixar a cabeça para o caderno de apontamentos, ou melhor ainda escondê-la atrás do muro portátil do seu livro.”

Henrique Vila-Matas – História Abreviada da Literatura Portátil.

.

Vista geral

—————————————————————————————————————————————————-——

Desenho

Desenho

Pormenor

Pormenor