Exp06

Entre o Espelho e a Parede

Espaço Gesto. 2010, Porto.

Lembro-me de em pequeno, numa viagem da escola primária, ter visto um quadro que me fascinou, a pintura de uma vaca exposta no Museu Grão Vasco. Até hoje não revi esse quadro e a imagem que tenho dele é uma mistura do que poderá ser o original e o conjunto de desenhos tortos de vacas que fiz na altura. Mais tarde, durante a adolescência, comprava livros da Taschen, nesse tempo eram as imagens dos grandes mestres que fixavam o cume de uma montanha que eu prometia a mim mesmo escalar, – via-me como um atleta do desenho, e queria poder competir com os melhores, era para isso que treinava, e sempre me irritou conhecer quem desenhava melhor do que eu, quem conseguia resolver determinado problema de representação que a mim se apresentava impossível. Era essa vontade de domínio que me movia, – um desejo inabalável de controlo dos mecanismos da representação dos outros. Não me lembro de querer vencer o problema de representar determinado objecto real, quando isso acontecia fazia-se sempre em função de determinada imagem, mesmo quando desenhava pessoas no café, era
Os Jogadores de Cartas do Cézanne que me ocupava o espírito.

Agora pouco mudou, conheço melhor a herança que me deixaram, e talvez tenha perdido a inocência do jovem atleta esforçado na miragem da meta, mas ainda assim continuo a imitar o melhor o melhor que sei na esperança de que no cerco e no roubo possa encontrar algo a que possa chamar meu:

A visão do meu rosto atravessada entre o espelho e a parede.

.

S/título

S/título

S/título

S/título

———————————————————————————————————————————————————————————————

S/título.

S/título

Montagem

.

.